Rio das Flores, Miguel Sousa Tavares
Devo, desde já, confessar, que não gostei muito deste livro.
Estava a gostar, a princípio, mas depois, a história ou a identificação com as personagens perde-se, por completo.
As personagens ao início atractivas, rapidamente ficam vazias de interesse, e a história segue, sem emoção, e constantemente interrompida (sim, verdadeiramente interrompida) por enormes contextualizações históricas que quebram o ritmo que ainda podia existir, para safar o livro.
Apesar de uns bons momentos (a ida a Espanha, o primeiro casamento…), o todo não encanta.
Mais livros que entretanto li:
Livros que, entretanto, li:
Queen in Waiting, Norah Lofts
Este foi um dos livros dados pela minha madrinha, que é daquelas pessoas que só os usa uma vez na vida.
Sem dúvida uma das mulheres mais interessantes da Idade Média, Elleanor da Aquitânia fez de tudo um pouco, numa época em que as mulheres ficavam bem era à lareira a fazer tear e bem caladinhas.
Esta herdeira de um dos maiores e mais ricos territórios de França, foi Rainha de dois países, esteve nas Cruzadas, casou-se e divorciou-se, gerou centros culturais e foi um estorvo político tantas vezes que ainda esteve 20 anos presa e sobreviveu (!) para voltar a reinar, com o filho. É a famosa mãe do Principe João e Ricardo Coeur de Lion, com lugar até na história do Robin Hood, de Walter Scott.
Tudo isto é História, mas poderia ser muito enfadonho se contado da maneira errada.
Queen in Waiting consegue isso mesmo, uma história empolgante, com uma heroína espectacular que até aos 80 anos lidera, nas últimas páginas deste livrinho, que nos deixa com vontade para mais.
Bom entretenimento.
As minhas desculpas
Por falta de tempo (aka falta de organização) e indesejadas influências no passado, deixei este blog completamente de parte.
Agora, desintoxicada e (um bocadinho mais) organizada, vou recomeçar.
Let’s go?
Próximas críticas
The Picture of Dorian Gray, de Oscar Wilde
The Picture of Dorian Gray é, acima de tudo, um livro muito cruel.
Formidavelmente bem escrito, como só Oscar Wilde consegue, num misto de cinismo, humor, maldade e, acima de tudo, uma extraordinária beleza.
É um estudo do Homem, da sua ganância, do seu medo de envelhecer, da sua própria exploração.
É muito duro, muito frio e muito apaixonante.
A única coisa de que tive pena foi de saber já grande parte da história, o que é capaz de ter estragado toda e qualquer surpresa.
É um daqueles “a ler”.
Ou seja, sem uma falha.
O Nome da Rosa, de Umberto Eco
Este foi, sem dúvida, um dos melhores livros que li em 2010.
Certamente, foi o mais difícil.
Levei-o para o Algarve, nas minhas férias de Verão, e tive que penar para ultrapassar algumas páginas.
Nenhum me foi tão tão difícil, e nenhum me pôs a pensar tanto, friamente, filosoficamente.
É fenomenal.
Cada capítulo é quase um semestre de uma disciplina, cada página uma dura lição.
Este livro roça o Conhecimento e indica que há muito mais para descobrir, para desenvolver.
Com O Nome da Rosa, apercebi-me da complexidade do pensamento, das noções, da não-linearidade de tudo. É assombroso.
Entretanto, o mistério policial entretém, encaixado em tanta filosofia.
Fiquei, também, a conhecer muito mais sobre a Igreja Católica, muita da sua história, e as implicações desta e de outras crenças/instituições/modos de pensar.
Definitivamente, no top.
A Viela da Duquesa, de Sveva Casati Modignani
Ironicamente, achei que ia gostar muito mais de A Viela da Duquesa.
A princípio parece giro, fiquei entusiasmada, mas, depois…
Não consegui mergulhar na história como gostaria. Parece que tudo passa sem grande emoção, um desfile de acontecimentos minimamente figurativos da história do século XX. Lê-se, mas não encanta muito.
Não consigo explicar melhor do que isto, e não sei o que poderá ter falhado. Só sei que não me interessava o amor da Condessa pelo…nem me lembro do nome! Ou a traição do rebelde (também não me lembro do nome) à Teresa…Nada de revolta, de ansiedade, nada de suspiros.
Li, acabei – já está.
Não valeu muito a pena.
Histórias do Bom Deus, Rainer Maria Rilke
Achei que este livro seria demasiado moralista e aborrecido pelo título e pela premissa.
Não é.
Curiosamente, Rilke para mim é, calculo, tão denso, que é como se inúmeras linhas desfilassem diante dos meus olhos sem que eu me lembre muito bem delas. Já li duas vezes Cartas a um Jovem Poeta, lembro-me que gostei, mas não me lembro de muito mais. Neste livro de contos, umas histórias marcam mais que outras, mas todas são belas. A que definitivamente mexeu mais comigo foi a última “Uma história contada à escuridão” que remata o livro em grande qualidade e o faz valer a pena.
São histórias do bom Deus com toda a bondade e nenhuma da hipócrita e injustificada moralidade que por vezes acompanha uma ou outra crença.
Gostei.


























